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Endolaser após emagrecimento: funciona para flacidez?

Dra. Carolina Tonin - Dermatologista

Depois de emagrecer, é comum perceber flacidez, excesso de pele ou perda de definição em regiões como abdômen, braços, coxas, pescoço e papada. Diante dessas mudanças, muitas pessoas se perguntam se o endolaser após emagrecimento pode ajudar a recuperar o contorno corporal.

A resposta curta é: pode ajudar em casos selecionados, principalmente quando existe flacidez leve ou moderada, com ou sem pequenos depósitos de gordura localizada.

Entretanto, o endolaser não substitui uma cirurgia de retirada de pele quando há flacidez intensa. A indicação depende da qualidade da pele, da quantidade de gordura, do grau de excesso cutâneo e da anatomia da região tratada.

O que é endolaser?

Endolaser é um termo utilizado para procedimentos nos quais uma fibra óptica fina é introduzida abaixo da pele para transmitir energia laser diretamente aos tecidos.

Existem diferentes equipamentos, comprimentos de onda e protocolos. O laser de diodo de 1470 nm é um dos mais descritos na literatura sobre laser subdérmico, mas nem todo procedimento chamado de endolaser utiliza exatamente a mesma tecnologia.

A energia aplicada produz um aquecimento controlado dos tecidos. De acordo com o equipamento, os parâmetros e a técnica, esse efeito térmico pode favorecer:

  • remodelação do tecido;
  • retração em determinados graus;
  • estímulo relacionado à reorganização do colágeno;
  • melhora do contorno;
  • ação sobre pequenos depósitos de gordura localizada.

Endolift® é o nome comercial de uma tecnologia específica e não deve ser considerado sinônimo de todos os procedimentos realizados com laser subdérmico.

Por que a pele pode ficar flácida depois do emagrecimento?

Durante o ganho de peso, a pele se distende para acompanhar o aumento do volume corporal. Depois do emagrecimento, ela precisa se adaptar a uma estrutura menor.

A capacidade de retração varia de uma pessoa para outra e pode ser influenciada por:

  • idade;
  • genética;
  • quantidade de peso perdida;
  • velocidade do emagrecimento;
  • tempo durante o qual a pele permaneceu distendida;
  • exposição solar;
  • tabagismo;
  • oscilações frequentes de peso;
  • produção e organização de colágeno e elastina;
  • qualidade prévia da pele.

Por isso, duas pessoas que emagreceram a mesma quantidade podem apresentar graus muito diferentes de flacidez.

Além disso, nem toda alteração de contorno é causada apenas pela pele. Pode existir uma combinação de flacidez, gordura localizada residual, perda de volume, redução da sustentação dos tecidos e alterações musculares.

Como o endolaser pode ajudar após o emagrecimento?

Quando existe flacidez leve ou moderada, com ou sem uma pequena quantidade de gordura localizada, o endolaser pode fazer parte de um plano de tratamento minimamente invasivo.

A fibra é conduzida em um plano previamente definido, e a energia é distribuída de acordo com a espessura dos tecidos, a anatomia da região e o objetivo do tratamento.

O procedimento pode contribuir para melhorar a firmeza e o contorno, mas seu efeito é limitado pela quantidade de pele excedente.

Em casos de grande emagrecimento, com dobras ou excesso significativo de pele, a retração proporcionada por uma tecnologia pode não ser suficiente. Nessa situação, uma cirurgia para retirada de pele pode ser a alternativa mais adequada.

Endolaser realmente funciona para flacidez?

Os estudos disponíveis apresentam resultados promissores para algumas indicações, mas ainda existem limitações importantes nas evidências científicas.

Uma revisão de escopo publicada em 2025 identificou 26 trabalhos sobre endolaser em estética. Desses, 23 eram séries de casos, apenas um era ensaio clínico randomizado e havia grande variação entre os protocolos utilizados.

Foram relatados efeitos favoráveis sobre gordura localizada, rejuvenescimento e contorno. Entretanto, os próprios autores destacaram a necessidade de pesquisas com melhor padronização, acompanhamento mais prolongado e maior qualidade metodológica.

Portanto, a resposta mais adequada é: o endolaser pode funcionar para pacientes bem selecionados, mas não é uma solução universal para todos os tipos de flacidez.

A indicação correta é mais importante do que o nome da tecnologia.

Quem pode se beneficiar?

O endolaser após emagrecimento pode ser considerado quando existe:

  • flacidez leve ou moderada;
  • pequena quantidade de gordura localizada residual;
  • perda de definição do contorno;
  • papada associada a flacidez;
  • flacidez dos braços em graus selecionados;
  • alteração localizada do contorno abdominal, dos flancos ou das coxas;
  • expectativa compatível com os limites do procedimento.

Idealmente, o peso deve estar próximo da estabilidade. Novos emagrecimentos ou grandes oscilações de peso podem modificar o resultado.

Quando o endolaser pode não ser suficiente?

O procedimento pode ter indicação limitada quando há:

  • grande excesso de pele;
  • dobras cutâneas importantes;
  • flacidez intensa;
  • diástase abdominal ou alteração muscular significativa;
  • grande volume de gordura localizada;
  • expectativa de resultado semelhante ao de uma cirurgia;
  • condições clínicas que aumentem os riscos do procedimento.

Nesses casos, podem ser discutidas outras possibilidades, como cirurgia plástica, lipoaspiração, bioestimuladores, tecnologias externas ou tratamentos combinados.

Quais regiões podem ser tratadas?

A indicação depende da anatomia, do equipamento e da experiência do profissional. Entre as regiões que podem ser avaliadas estão:

  • papada e região abaixo do queixo;
  • pescoço;
  • braços;
  • abdômen;
  • flancos;
  • coxas;
  • região acima dos joelhos;
  • outras áreas selecionadas com flacidez e/ou gordura localizada.

Cada região exige técnica, profundidade e parâmetros específicos. A abordagem utilizada na papada, por exemplo, não é a mesma empregada em uma área corporal maior.

Endolaser para papada

A papada pode resultar de diferentes fatores, como acúmulo de gordura, flacidez, projeção insuficiente do queixo, posição do osso hioide e características anatômicas do pescoço.

Quando há pequena quantidade de gordura associada à flacidez, o laser subdérmico pode ser considerado para melhorar o contorno em pacientes selecionados.

Entretanto, tratar a papada sem identificar sua causa pode produzir um resultado abaixo do esperado. Em algumas pessoas, o planejamento pode envolver preenchimento do mento, tratamento da pele, remoção de gordura ou outras estratégias.

Quando aparecem os resultados?

Nos primeiros dias, a região pode apresentar edema e inflamação. Por isso, o resultado não deve ser avaliado imediatamente.

Parte da mudança de contorno pode ser percebida mais cedo, mas a remodelação dos tecidos acontece gradualmente. A evolução pode continuar durante semanas ou meses, dependendo da área, da técnica utilizada e da resposta individual.

Fotografias de antes e depois podem ajudar no acompanhamento, desde que sejam feitas com padronização de iluminação, posição, distância e expressão. Mesmo assim, o resultado de outro paciente não representa garantia de resposta semelhante.

Como é a recuperação?

O procedimento geralmente é realizado com anestesia local. O desconforto varia conforme a área tratada, a extensão do procedimento e a sensibilidade individual.

Durante a recuperação, podem ocorrer:

  • edema;
  • vermelhidão;
  • sensibilidade;
  • equimoses;
  • sensação de calor;
  • dormência ou alteração temporária da sensibilidade;
  • endurecimento transitório;
  • desconforto ao tocar ou movimentar a região.

O período de recuperação depende da extensão tratada e da resposta de cada paciente. As orientações após o procedimento devem ser individualizadas.

Quais são os riscos?

O endolaser é um procedimento médico minimamente invasivo e não é isento de riscos.

Além dos efeitos transitórios esperados, podem ocorrer:

  • queimaduras;
  • alterações de pigmentação;
  • infecção;
  • fibrose;
  • irregularidades;
  • assimetrias;
  • alterações persistentes da sensibilidade;
  • depressões ou irregularidades do contorno;
  • necessidade de tratamentos complementares.

O controle da temperatura, o conhecimento da anatomia, a seleção dos parâmetros e a condução correta da fibra são fundamentais para a segurança.

Existem contraindicações?

As contraindicações precisam ser avaliadas individualmente. Entre as situações que podem impedir ou adiar o procedimento estão infecção ativa na região, alterações de coagulação, uso de determinados medicamentos, doenças descompensadas, gestação e condições que prejudiquem a cicatrização.

O histórico de saúde, os medicamentos em uso e procedimentos anteriores devem ser informados durante a consulta.

Endolaser pode substituir a lipoaspiração?

Não necessariamente.

Quando existe um volume maior de gordura localizada, a lipoaspiração pode ser mais indicada. Quando há excesso significativo de pele, pode ser necessário retirar cirurgicamente esse tecido.

O endolaser tende a ser mais compatível com casos de menor volume e flacidez leve ou moderada.

Portanto, endolaser e lipoaspiração não são simplesmente procedimentos concorrentes. Eles possuem indicações diferentes e, em determinadas situações, podem fazer parte de um mesmo planejamento.

Endolaser associado à mini lipo

Quando a gordura localizada precisa ser removida e existe preocupação com a retração da pele, o médico pode avaliar uma abordagem que associe procedimentos.

A retirada de gordura sem considerar a qualidade da pele pode não produzir o contorno desejado. Da mesma forma, tratar somente a flacidez pode ser insuficiente quando existe um volume significativo de gordura.

A associação não é necessária para todos os pacientes. A decisão depende da quantidade de gordura, da flacidez, da região e do objetivo do tratamento.

Endolaser ou bioestimulador: qual é melhor?

Os procedimentos têm mecanismos e indicações diferentes.

O endolaser transmite energia térmica abaixo da pele e pode atuar sobre o contorno, a flacidez e pequenos depósitos de gordura.

Os bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas com o objetivo de estimular a produção de colágeno. Eles não removem gordura localizada e não produzem o mesmo tipo de ação térmica.

Em alguns casos, as estratégias podem ser complementares. A escolha depende da causa predominante da flacidez e das características dos tecidos.

Quanto custa o endolaser?

Não existe um preço único para o endolaser, porque o planejamento varia de acordo com:

  • região tratada;
  • tamanho da área;
  • grau de flacidez;
  • quantidade de gordura;
  • número de áreas;
  • equipamento e materiais utilizados;
  • necessidade de anestesia;
  • tempo e complexidade do procedimento;
  • eventual associação com outras técnicas.

Uma área pequena, como a papada, exige um planejamento diferente de um tratamento de abdômen, braços ou flancos.

Por isso, o valor deve ser definido após avaliação médica, quando é possível determinar se o procedimento está realmente indicado e qual será a extensão do tratamento.

Quantas sessões são necessárias?

O número de sessões não deve ser definido apenas pelo nome da tecnologia. Ele depende da região, da intensidade da flacidez, do equipamento, dos parâmetros empregados e da resposta individual.

Em alguns casos, um único procedimento pode ser planejado, enquanto outros pacientes podem precisar de tratamentos complementares. Essa previsão deve ser discutida durante a consulta.

Conclusão

O endolaser após emagrecimento pode ser uma opção para pacientes com flacidez leve ou moderada, especialmente quando existe pequena quantidade de gordura localizada associada.

No entanto, ele não substitui a retirada cirúrgica de grandes excessos de pele e não produz o mesmo resultado em todas as pessoas.

Mais importante do que escolher uma tecnologia é identificar o que está causando a alteração do contorno: pele excedente, gordura localizada, perda de sustentação, alteração muscular ou uma combinação desses fatores.

A avaliação médica permite definir se o endolaser faz sentido, quais resultados podem ser esperados e quando outro procedimento seria mais adequado.

Se você emagreceu e percebeu flacidez ou perda do contorno corporal, uma avaliação individualizada pode ajudar a diferenciar o que pode ser tratado com tecnologias minimamente invasivas do que necessita de outra abordagem.

*Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui a avaliação médica presencial.*

Referências científicas

1. Nilforoushzadeh MA, Heidari A, Ghane Y, et al. The Endo-lift Laser (Intralesional 1470 nm Diode Laser) for Dermatological Aesthetic Conditions: A Systematic Review. *Aesthetic Plastic Surgery*. 2024. PubMed.

2. Modena DAO, Yamamoto APM, da Silva TBF. Endolift® is a non-surgical treatment for skin tissue conditions. Is there evidence for its application? *Lasers in Medical Science*. 2025;40:22. doi: 10.1007/s10103-025-04288-z.

3. Vidal GP, Parizotto NA, Borges FDS, et al. Scientific evidence on the impact of endolaser in aesthetics: scoping review. *Lasers in Medical Science*. 2025;40:155. doi: 10.1007/s10103-024-04248-z.

4. Nilforoushzadeh MA, Savoji PB, Fakhim T, Rafiei S, Mirbahari SN. Synergistic Effects of Endolift With Complementary Cosmetic Procedures: A Narrative Review and Comprehensive Approach. *Journal of Cosmetic Dermatology*. 2026;25(5)\:e70922. doi: 10.1111/jocd.70922.

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