O preenchimento de queixo e mandíbula pode ser uma excelente ferramenta para melhorar a projeção do mento, definir determinados pontos do contorno mandibular e equilibrar as proporções do terço inferior da face. Mas existe um ponto muito importante: nem toda falta de definição da mandíbula ou do queixo deve ser tratada com preenchimento.
O contorno entre o rosto e o pescoço depende de diversos fatores, incluindo estrutura óssea, distribuição de gordura, qualidade da pele, musculatura e o próprio processo de envelhecimento. Por isso, antes de pensar em quantidade de ácido hialurônico ou escolher um produto, é fundamental entender qual é a causa daquela alteração.
Em alguns pacientes, acrescentar suporte em pontos estratégicos pode produzir uma mudança discreta, mas bastante significativa no perfil e no contorno facial. Em outros, entretanto, o problema principal pode ser flacidez, gordura localizada, excesso de pele ou até uma alteração estrutural da mandíbula. Nesses casos, simplesmente adicionar volume pode não trazer o resultado esperado.
O que é o preenchimento de queixo e mandíbula?
O preenchimento facial é um procedimento realizado por meio da aplicação de um material injetável em pontos e planos anatômicos específicos. No terço inferior da face, o objetivo pode ser melhorar projeção, suporte, proporção e definição.
O ácido hialurônico é um dos materiais mais utilizados para essa finalidade. Existem diferentes tipos de ácido hialurônico, com características distintas de elasticidade, viscosidade, coesividade e capacidade de sustentação. A escolha do produto deve levar em consideração a região tratada e o resultado que se pretende alcançar.
No queixo, o preenchimento pode melhorar a projeção anterior, a altura, pequenas assimetrias e a relação entre nariz, lábios e mento. Já na mandíbula, pode ser utilizado para definir pontos específicos do contorno, melhorar o ângulo mandibular ou recuperar uma continuidade que foi perdida ao longo do processo de envelhecimento.
É importante lembrar que o ácido hialurônico não modifica a estrutura óssea, não elimina gordura e não substitui uma cirurgia quando existe uma alteração estrutural importante.
Por que o queixo é tão importante para o perfil?
O queixo não deve ser analisado isoladamente. Sua posição interfere diretamente na percepção do nariz, dos lábios, da mandíbula e da transição entre o rosto e o pescoço.
Quando o mento apresenta pouca projeção, por exemplo, o nariz pode parecer proporcionalmente mais proeminente e os lábios podem aparentar estar mais à frente. Isso não significa necessariamente que exista um “nariz grande” ou um “queixo pequeno”. Muitas vezes, existe uma questão de proporção entre diferentes estruturas da face.
Por isso, a avaliação deve considerar o rosto de frente, de perfil e em uma visão oblíqua. Fotografias padronizadas também podem auxiliar no planejamento.
Quando o preenchimento de queixo é indicado?
O preenchimento de queixo pode ser considerado em situações como pouca projeção anterior do mento, retrusão leve ou moderada, pequenas assimetrias, necessidade de modificar discretamente a altura ou o formato do queixo e desproporção entre nariz, lábios e mento.
Também pode ser utilizado para recuperar determinadas alterações de contorno relacionadas ao envelhecimento ou após mudanças importantes de peso.
Estudos clínicos e revisões sistemáticas demonstram resultados favoráveis para o uso de ácido hialurônico na melhora da projeção do queixo e na correção de retrusões leves ou moderadas, com bons índices de satisfação em pacientes adequadamente selecionados.
Entretanto, existe uma diferença importante entre uma deficiência leve do mento e uma alteração óssea significativa. Quando há retrognatia importante, alterações da mordida ou outras alterações funcionais, o preenchimento não substitui a avaliação odontológica, ortodôntica ou bucomaxilofacial.
E quando o preenchimento de mandíbula pode ajudar?
O preenchimento de mandíbula pode ser indicado quando existe pouca definição da linha mandibular, ângulo mandibular pouco evidente, pequenas assimetrias ou depressões que interrompem a continuidade do contorno.
Também pode ser considerado em algumas alterações relacionadas ao envelhecimento, quando ocorre perda de suporte dos tecidos e o contorno da mandíbula se torna menos definido.
Mas é importante entender que uma mandíbula pouco marcada pode ter várias causas.
Se existe gordura submentoniana, por exemplo, o problema está relacionado à papada e o preenchimento não elimina esse tecido adiposo.
Se a principal alteração for flacidez, especialmente com presença de jowls ou excesso de pele, acrescentar ácido hialurônico pode não ser suficiente.
Já quando existe uma perda localizada de volume ou uma depressão específica, o preenchimento pode ser uma ferramenta bastante interessante.
Por isso, antes de preencher, é necessário descobrir por que aquela mandíbula perdeu definição.
O que acontece com o rosto depois de um grande emagrecimento?
Essa é uma questão cada vez mais comum no consultório, especialmente com o aumento do número de pessoas que passaram por grandes perdas de peso utilizando medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, entre outros tratamentos para obesidade.
Tirzepatida, semaglutida e outras terapias baseadas em incretinas podem proporcionar perdas importantes de peso quando corretamente indicadas e acompanhadas. A redução de peso traz benefícios relevantes para a saúde, mas também pode modificar o volume e o contorno facial.
O chamado “rosto de Ozempic” não é um diagnóstico médico e não representa um efeito exclusivo de uma determinada marca. O que pode acontecer é uma redução do tecido adiposo facial após uma perda importante de peso, deixando algumas estruturas mais evidentes e, em determinados pacientes, aumentando a percepção de flacidez, sulcos ou perda de suporte.
Um estudo retrospectivo que avaliou pacientes em uso de agonistas de GLP-1 observou redução do volume do terço médio da face após a perda de peso. Os próprios autores destacam, entretanto, que o estudo possui limitações e que esses números não podem ser utilizados para prever o resultado de cada indivíduo.
No terço inferior da face, a perda de gordura também pode modificar a relação entre pele, tecidos e estrutura óssea. Em algumas pessoas, isso resulta em maior definição. Em outras, principalmente quando existe redução importante de volume associada à menor elasticidade da pele, pode ocorrer perda do contorno mandibular.
Nesses casos, o preenchimento pode ser uma opção quando existe perda de suporte ou uma depressão localizada. Mas ele não deve ser utilizado automaticamente para “repor tudo o que foi perdido”.
Dependendo do caso, pode ser mais interessante associar bioestimuladores de colágeno, tecnologias para flacidez, tratamentos para gordura localizada ou até procedimentos cirúrgicos.
Como escolher o ácido hialurônico para queixo e mandíbula?
Não existe um único ácido hialurônico ideal para todas as regiões e todos os pacientes.
Os produtos apresentam características diferentes e podem ter maior ou menor capacidade de projeção e sustentação. A escolha deve considerar a anatomia, a espessura dos tecidos, o plano de aplicação, o objetivo do tratamento e o histórico de procedimentos anteriores.
Por isso, não é adequado escolher um preenchimento apenas pela marca ou pelo número de mililitros.
Mais produto não significa necessariamente um resultado melhor.
Em estética facial, muitas vezes pequenas quantidades aplicadas em locais estratégicos conseguem produzir mudanças mais naturais do que grandes volumes distribuídos sem planejamento.
Como é realizado o procedimento?
O planejamento começa com a avaliação da face, do perfil, da mandíbula, do queixo, da pele, da gordura e do histórico de procedimentos.
Também é importante informar tratamentos realizados anteriormente, principalmente quando foram utilizados preenchedores permanentes ou quando o paciente não sabe exatamente qual produto foi aplicado.
Após a higienização e antissepsia, o ácido hialurônico pode ser aplicado utilizando agulha ou cânula, de acordo com a região, a técnica escolhida e o plano anatômico.
O resultado pode ser percebido imediatamente, mas o edema inicial pode modificar temporariamente o contorno. Por isso, a avaliação do resultado mais estável costuma ser realizada após a redução do inchaço, frequentemente entre uma e duas semanas.
Quanto tempo dura o preenchimento de queixo e mandíbula?
O preenchimento com ácido hialurônico é temporário. Estudos com produtos específicos para essas regiões demonstram manutenção dos resultados por aproximadamente 12 meses em parte dos pacientes.
Entretanto, não existe um prazo universal.
A duração pode variar de acordo com o produto utilizado, quantidade aplicada, região, plano de aplicação, metabolismo individual, características dos tecidos e mudanças de peso.
Por isso, a manutenção não deve seguir necessariamente um calendário fixo. O ideal é avaliar clinicamente quando existe indicação de uma nova aplicação.
O preenchimento de queixo e mandíbula é seguro?
Quando realizado por profissional habilitado, com conhecimento anatômico e indicação adequada, o ácido hialurônico apresenta um perfil de segurança favorável. Isso não significa, porém, que o procedimento seja isento de riscos.
Os efeitos mais comuns incluem inchaço, vermelhidão, sensibilidade, dor, hematomas, assimetrias e pequenas irregularidades.
Existem também complicações menos frequentes, como infecções, reações inflamatórias tardias e alterações persistentes de contorno.
Uma das complicações mais importantes são as oclusões vasculares, que podem ocorrer quando o produto entra ou comprime um vaso sanguíneo, comprometendo a circulação dos tecidos.
Dor intensa e desproporcional, palidez, alteração da coloração da pele, aspecto arroxeado ou rendilhado, frio local ou alterações visuais após um preenchimento são sinais que exigem avaliação médica imediata.
Por isso, conhecimento anatômico, técnica adequada e capacidade de reconhecer e tratar precocemente possíveis complicações são fundamentais.
Quando o preenchimento não é a melhor opção?
Existem situações em que outro tratamento pode ser mais adequado.
Isso pode acontecer quando existe grande excesso de pele, gordura submentoniana importante, flacidez avançada, deficiência óssea acentuada, alteração significativa da mordida ou assimetrias estruturais importantes.
Nessas situações, insistir no preenchimento pode levar ao excesso de volume sem solucionar a causa principal da queixa.
Em alguns pacientes, o preenchimento será apenas uma parte de um planejamento maior. Em outros, a melhor conduta pode ser não preencher.
O preenchimento de mandíbula deixa o rosto artificial?
Não necessariamente.
A naturalidade depende principalmente da indicação, do planejamento e da quantidade utilizada.
Uma mandíbula excessivamente marcada pode deixar o terço inferior pesado e endurecer a aparência do rosto. Da mesma forma, projetar demais o queixo pode prejudicar a relação entre mento, lábios e nariz.
O objetivo não deve ser transformar todos os rostos em um mesmo padrão estético.
Um bom preenchimento é aquele que melhora proporções e contornos sem apagar a identidade facial.
Perguntas frequentes
O preenchimento de queixo deixa o rosto mais fino?
Ele não elimina gordura. Ao melhorar a projeção do mento e as proporções do terço inferior, pode criar uma percepção de maior alongamento ou definição, mas o resultado depende do formato do rosto.
Posso fazer preenchimento de queixo e mandíbula juntos?
Sim, quando as duas regiões apresentam indicação. Em alguns pacientes, entretanto, tratar apenas o queixo ou pontos específicos da mandíbula já é suficiente.
Quantos mililitros são necessários?
Não existe uma quantidade universal. A necessidade depende da anatomia, do produto escolhido e do objetivo do tratamento.
O preenchimento de mandíbula trata a papada?
Não diretamente. Se a principal causa da perda de definição for gordura submentoniana ou excesso de pele, essas alterações precisam ser tratadas especificamente.
O preenchimento substitui a cirurgia?
Não. Ele pode melhorar alterações leves ou moderadas, mas não reposiciona os ossos, não corrige a mordida e não remove grandes excessos de pele.
Por que minha mandíbula parece menos definida depois que emagreci?
A perda de gordura facial pode modificar o suporte dos tecidos e a relação entre pele, gordura e estruturas profundas. Dependendo da anatomia e da elasticidade da pele, isso pode resultar em maior definição ou, ao contrário, em flacidez e perda de contorno.
Conclusão
O preenchimento de queixo e mandíbula com ácido hialurônico pode ser uma excelente ferramenta para melhorar a projeção do mento, determinadas assimetrias e a definição do terço inferior da face.
Mas os melhores resultados começam pelo diagnóstico — e não pela escolha do produto ou pela quantidade de seringas.
Nem todo queixo retraído precisa de preenchimento. Nem toda mandíbula pouco definida precisa receber mais volume. Gordura, flacidez, excesso de pele, perda de volume e alterações ósseas podem exigir estratégias completamente diferentes.
Especialmente após grandes perdas de peso, inclusive aquelas associadas ao uso de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, é importante avaliar cuidadosamente o que realmente mudou no rosto antes de tentar simplesmente devolver volume.
O objetivo de um tratamento bem planejado é encontrar uma proporção coerente com a anatomia de cada paciente e preservar sua identidade facial, evitando resultados exagerados ou padronizados.
Na Clínica Dra. Carolina Tonin, a indicação é definida após uma avaliação individualizada do rosto, do perfil, dos tecidos e das alterações que realmente estão causando a queixa.
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